Na escola contei as novidades para Malu, na aula de história. O professor estava falando sobre Napoleão Bonaparte e neste caso, Bonaparte podia esperar:
- Você vai conversar com sua irmã?
- Vou tentar.
- Você imagina a reação do seu pai?
- Não, não sei como ele reagirá, meu pai esta virando uma caixinha de surpresas.
No recreio, enquanto eu e a Malu fofocávamos muito, o Deus Grego máximo da beleza, Thiago veio conversar comigo.
- Oi Alice, ei Malu!
- Oi Thiago.
Respondemos em coro.
- O desenho esta pronto?
- Esta sim, esta lá na sala.
- Vamos lá então, preciso dele.
Fitei de canto a Malu e a mesma fazia sinal para ir sozinha. Quase a matei com meus olhos e sorri de forma sínica, indo pelo corredor com o Thiago, Deus Grego máximo de beleza, me seguindo. Entrei na sala e peguei o envelope que estava guardado em minha agenda. Ele nem abriu, só o guardou no bolso do casaco e sorriu. Aqueles lábios, aqueles dentes...
- Obrigada Alice, até.
- De nada, até.
Minhas pernas estavam bambas, meu coração disparado e eu já estava suando frio quando Malu apareceu animada ao meu lado. Dando-me um susto. Outro susto foi ouvir o sinal tocar. Depois da aula, fui para o ponto de ônibus correndo e sentei ao lado da Mari no ônibus, aproveitando que meu irmão foi de carona para o trabalho.
- Mari, posso te perguntar algo?
- Pode, o que é?
- Ontem eu ouvi uma conversa sua com seu namorado...
- Qual é o ponto?
- Esta mesmo grávida?
- Er... Ah... Sim...
Tentei fingir que nada estava acontecendo, que aquilo era só mais uma conversa entre irmãs, mas minha voz se sobressai.
- Quando vai contar para o papai?
- Fala baixo! Não sei, mas não me venha com pressão psicológica
- Esta bem, mas só não quero que pense em aborto.
- Esta louca? Eu vou assumir minha burrada...
Abracei-a. Não foi um abraço normal, mas sim um abraço que significou um: "Vou estar sempre ao seu lado.”.

Um mês depois.

Já tinha se passado quase um mês após a confirmação da gravidez da Mari. Ela não tinha contado para o meu pai ainda, mas logo ele saberia.
- Cadê a Mariana, Alice?
- Esta no banheiro.
- De novo?
- Sim...
- Vou ver como ela esta.
Segui o meu pai e encontramos a Mari saindo do banheiro com uma cara horrível.
- Você esta bem filha?
- Estou pai, não se preocupe.
- Você deve estar doente, nunca foi de vomitar deste jeito. Vou leva-la ao médico.
- Não precisa pai.
- Mas filha....
Tinha que fazer algo para salvar a Mari daquilo tudo. Foi à primeira coisa que pensei, eu juro.
- Pai esta começando o jornal!
- E desde quando você se interessa por jornal, Alice?
- Desde sempre, só você que nunca percebeu.
Sim, eu tive que assistir o jornal com meu pai. E foi ai que reparei que o que meu pai falava sobre o mundo esta perigoso é realmente verdade. Não tem nenhuma coisa boa em ver jornal, só desgraça e os âncoras não estão nem ai, não reparam. Lançam uma bomba atrás da outra como se fosse a coisa mais normal do mundo. Quando terminou, graças a Deus, fui comer um sanduíche, mas não era qualquer sanduíche, é o sanduba do Tadeu. Não sei o que aquele menino faz, mas é o melhor sanduíche que comi em toda minha vida. Meu pai diz que essa comida vai me matar um dia, mas se eu morrer por causa dela morrerei feliz. Antes de dar a primeira mordida, a Mari chegou chorando na sala e eu percebi que aquela era a hora. Sem começo, meio nem fim, ela disparou a bomba como uma âncora de telejornal.
- Pai. Tadeu. Estou grávida.

Silêncio mortal. O engasgo do Tadeu quando percebeu que a Mari falava sério. Meu pai estava sem reação e eu? Normal, pois já sabia. 

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