quarta-feira, 2 de outubro de 2019

{Resenha} Midsommar

Olá mentes inquietas, tem tempo que não escrevo por aqui. Tudo isso por conta da faculdade e estágio que estão sugando a minha alma ultimamente. Brincadeiras a parte, eu aproveitei um tempo livro para falar da minha mais nova obsessão: Midsommar. Que no Brasil recebeu o maravilhoso subtítulo: O Mal Não Espera à noite. Mas se você não assistiu o primeiro filme do cineasta Ari Aster, Hereditário, e está supondo que este é mais um daqueles filmes jump scares, saiba que está errado. Este filme de terror que se passa em grande parte sob a luz do dia causa mais um incomodo ao invés de sustos passageiros e assim que os créditos começam só um pensamento se passa na sua cabeça: What the fuck?!
Sempre bom lembrar que esta resenha pode conter spoilers

Midsommar | Ari Aster
Data de lançamento: 19 de Setembro de 2019
Gênero: Terror | Nacionalidade: E.U.A
Sinopse: Após vivenciar uma tragédia pessoal, Dani (Florence Pugh) vai com o namorado Christian (Jack Reynor) e um grupo de amigos até a Suécia para participar de um festival local de verão. Mas, ao invés das férias tranquilas com a qual todos sonhavam, o grupo vai se deparar com rituais bizarros de uma adoração pagã.

A história gira em torno de Dani, que logo no inicio do filme sofre uma tragédia familiar. Nestas primeiras cenas já somos expostos também ao namorado dela, Christian, e seus amigos, Josh, Mark e Pelle. Fica evidente que Christian mantém este namoro com Dani por medo de se arrepender no futuro e que seus amigos são contra a protelação deste relacionamento amoroso. Após a tragédia familiar de Dani, ele vê mais um motivo para não terminar mesmo sendo infeliz nele. A contra gosto dos amigos, Christian a convida para visitar um vilarejo na Suécia, Harga, onde ocorre um ritual local com o intuito da celebração do solstício de verão. Essa ensolarada viagem, que aparentemente parecia tranquila e perfeita para Dani superar seus problemas e se aproximar de Christian se torna perturbadora  cada vez mais que eles e o seus amigos descobrem o funcionamento e o propósito deste ritual. 
Midsommar é um filme que usa de muitas alegorias, como muitos filmes de terror, para tratar de forma inusitada de temas do nosso cotidiano. O pano de fundo pode ser uma religião pagã baseada na cultura dos vikins e na mitologia nórdica, mas ao ler e ver outras resenhas online, além de entrevistas com o próprio diretor, a temática da jornada da liberdade ao sair de um relacionamento fracassado é a que mais me interessa, e que pessoalmente mais me identifico. Dani é a personagem que percorre toda essa jornada, ao enxergar como o seu relacionamento estava deficiente e questionar as atitudes de Christian. Ela tenta esconder toda sua dor e tristeza por conta do que acontecera com sua família para não incomodar o namorado, mas ao fazer isso ela só se machuca mais ao não enfrentar de fato o seu problema. Cenas como a de Dani chorando e gritando com as outras mulheres do vilarejo repetindo seu ato e a cena final, mostra o quanto é libertador para ela expor seus sentimentos e se livrar de um relacionamento frustrado.
Mas não pense que a comunidade de Harga é totalmente inocente ao "auxiliar" Dani nesta jornada. Estas pessoas que carregam antigos costumes e rituais, que para nós podem ser considerados antiquados, em sua cultura, utiliza de psicotrópicos para manipular os visitantes, além de impedir os mesmo de fugir daquela situação. Todas as mortes ocorrem em prol dos rituais, que fazendo uma breve pesquisa realmente existiram. É interessante como o diretor Ari Aster conseguiu criar toda uma nova mitologia baseada nas que já existiram, colocando elementos como runas, uso de rituais inusitados para conquistar a pessoa amada e sacrifícios humano. Além disso tudo, o diretor criou uma comunidade que realmente passa o aspecto do significado desta palavra: um grupo de pessoas que são tão unidos, que são capazes de sentir a dor do outro e de se sacrificarem pelo bem do coletivo. Midsommar é um filme que em um mesmo fim de semana eu assisti duas vezes, mas como se fosse a primeira. É uma obra que trabalha com detalhes, que vão te surpreender ao percebe-los e, obviamente, não irá agradar a todos. 
Avaliação: 5 Tortas de carne

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